Eu tenho a sorte de um amor tranquilo.
Tenho me sentido estranho. Ouço palavras em lágrimas. Lágrimas de muitos, muitos estranhamente familiares. E faz-se muito estranho tatear suas dores com tanta estranheza. Tanta distância, tanta coisa não-minha.
Vivem de amores não-amados. Feridas abertas, pulsos cerrados. Cansados do gosto amargo da vida, embriagam a garganta em ritmo de chuva. São corpos famintos. Corpos atravessados, penetrados pelo desamor. Corpos cansados de tanto lutar. Mãos estampadas com o sangue despejado na batalha canibal que tornou-se o amor. Amar - não sei dizer bem desde quando - é uma guerra.
E que guerra fria. Repleta de metas, objetivos. Jogos, estratégias, planejamentos e metodologias. Mentes fragmentadas em tiras. Mentiras. Ironicamente, diz-se que vence aquele capaz de disfarçar seus sentimentos. "Não declararás! Não te entregarás!", exclama o sargento enrustido.
É estranho ver como isso apresenta-se a mim com tanta estranheza. Este sangue não correrá em minhas mãos. Entregar-me-ei até não dar mais conta.
E essa guerra hollywoodiana que vá se foder.
sexta-feira, 2 de março de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Amargura;
O céu era fonte de inveja.
Botara o plano mais suicida em ação: pular. Não olhar para baixo. Não pensar no chão. Não figurar a queda. Vendar os olhos, prender o ar e mergulhar. Restava-lhe aguardar pelo colo dela e seu perfume. O abraço apertado, o conforto do beijo. O calor dos sonhos. Mas, deu merda. Espatifou-se. Espedaçou-se. Enrijeceu-se. E não chorou.
O céu provocava inveja.
Não fazia sentido. Que absurdo! Aonde, afinal, falhara? - questionava-se sádica, masoquista e ironicamente. Deveria ser culpa dele. Lógico. Afinal, amor e ódio, quando no cú da gente, é difícil de aceitar. Ela era intocável. Talvez, em suas fantasias mais íntimas, nem defecar pudesse.
E o céu trovoando inveja.
Estava difícil. A cerveja, amarga, quase desistira dele. A racionalização ocupava a quarta cadeira da mesa do bar. E estava gorda. Gorda e chata! Era quase impossível combatê-la: silenciava o sorriso característico, restringia os olhares e não tolerava lágrimas. Mas, a coragem falou mais alto. Levantou-se, enxergou-se e apoderou-se de si. Eis o ato mais corajoso: desfazer-se em lágrimas.
Era um choro engasgado, recheado de soluços. Tão corajoso que não se preocupou em controlar-se. Parecia não ter fim. A quarta companheira pagou sua parte na conta e retirou-se. E de repente o céu passou despercebido.
E a cerveja deixou de ser amarga.
Botara o plano mais suicida em ação: pular. Não olhar para baixo. Não pensar no chão. Não figurar a queda. Vendar os olhos, prender o ar e mergulhar. Restava-lhe aguardar pelo colo dela e seu perfume. O abraço apertado, o conforto do beijo. O calor dos sonhos. Mas, deu merda. Espatifou-se. Espedaçou-se. Enrijeceu-se. E não chorou.
O céu provocava inveja.
Não fazia sentido. Que absurdo! Aonde, afinal, falhara? - questionava-se sádica, masoquista e ironicamente. Deveria ser culpa dele. Lógico. Afinal, amor e ódio, quando no cú da gente, é difícil de aceitar. Ela era intocável. Talvez, em suas fantasias mais íntimas, nem defecar pudesse.
E o céu trovoando inveja.
Estava difícil. A cerveja, amarga, quase desistira dele. A racionalização ocupava a quarta cadeira da mesa do bar. E estava gorda. Gorda e chata! Era quase impossível combatê-la: silenciava o sorriso característico, restringia os olhares e não tolerava lágrimas. Mas, a coragem falou mais alto. Levantou-se, enxergou-se e apoderou-se de si. Eis o ato mais corajoso: desfazer-se em lágrimas.
Era um choro engasgado, recheado de soluços. Tão corajoso que não se preocupou em controlar-se. Parecia não ter fim. A quarta companheira pagou sua parte na conta e retirou-se. E de repente o céu passou despercebido.
E a cerveja deixou de ser amarga.
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