quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Gente;


Gente passando, correndo. Gente agitada, inquieta e atrasada. Fones de ouvido, celular e algodão doce. Churrasquinho de gato, farinha d'água, limão e pimenta. Muita gente que nem a gente.

Cachorro pirento deitado no sol quente, roçando a pele no chão pra lá e pra cá. Cara de alívio que cativa a gente. 

Cheiro de mijo e cachaça. Marcas de sangue duras nas paredes. Gente passando e ignorando a gente. Gente que nem olha pra gente. Gente que olha e puxa a bolsa pra frente. Aperta o passo e corre rasteiro! 

Gente que tosse, espirra e que caga que nem a gente! Gente que ama, que goza e que ri talvez até um pouco menos que a gente. Gente que sofre, que chora e que sente. Sente?

Gente que bate na gente. Essa gente fardada, roupa esverdeada, com arma até o dente. Carregam a marca do Estado que era pra ser da gente! Pontapé, soco e cassetete no corpo da gente. Arranca sangue e segue em frente.

Gente que vê isso tudo que acontece com a gente e não faz nada. Chega em casa cansado, com o quarto arrumado e dorme contente. Gente doente. Gente que deixa o silêncio marcar o corpo da gente. Gente indiferente.

Gente que mente;

Gente que mata a gente;

Gente menos gente que a gente!

3 comentários:

Túlio Cordeiro disse...

Que belo texto amigo. Parabéns

Túlio Cordeiro disse...

Que belo texto amigo. Parabéns

Rilson Costa disse...

cara que texto é esse... sinceramente fiquei com vergonha de mim mesmo agora, por ja ter passado por situações descritas por ti! muito bom e obrigado! precisamos de mais gente como você!